Ao longo da minha carreira e como empreendedor, sempre acontecem aqueles momentos “por que ninguém pensou nisso antes” que, acredito eu, você já experimentou em algum momento da sua vida. Pra mim esses momentos são fantásticos, conseguir reconhecer como alguém pode enxergar o óbvio que ninguém mais enxergou ou conseguiu executar, o que é uma outra história.
Mas além disso, lembro que há tempos começou a me chamar a atenção porque alguns produtos (ferramentas, sistemas, apps) mesmo tendo as mesmas funcionalidades, fazem mais sucesso que outros, os exemplos mais notórios que conheço são o WhatsApp e o Slack.

O WhatsApp, como um aplicativo de chat, troca de mensagens, não tem tanta diferença assim do Skype, do antigo Google Talk, que foi integrado ao Hangout, do Facebook Messenger e de tantos outros comunicadores instantâneos. Por que então ele fez tanto sucesso?

Existem vários pontos, inclusive o famoso “timing”. Pra mim a questão de o whatsapp exigir que você use o seu número de telefone cria inconscientemente, uma conexão entre você e seu inseparável zap-zap.

O WhatsApp consegue se relacionar com você e te ajudou a se comunicar não só com as pessoas, mas com ele mesmo, a um nível “pra chamar de seu”. “Pega meu zap”, “me passa seu zap”, “me manda um zap”, quantas vezes ouvimos as pessoas falarem isso? Quantos aplicativos, sistemas, produtos digitais tem um apelido?

Pulando para nosso amigo colorido, o slack, ele não tem essa conexão direta com você, através do seu número de telefone, mas de forma parecida, tem funcionalidades que vários outros comunicadores empresariais têm, mas vem se destacando como um hub que centraliza toda a comunicação em jovens empresas, entre pessoas e sistemas. Por que?

Novamente, em minha opinião, acredito que isso é devido à forma autêntica como ele procura se posicionar, “falando” com o usuário de forma informal, simples, simpática, como se você não o estivesse usando para trabalho. E ainda mimetiza a forma de pular entre assuntos tão comum em uma conversa entre amigos. Pelo menos no meu círculo de amizades, é muito comum a gente conversar sobre uma coisa, “abrir um parênteses” pra falar de outra, mudar de assunto no meio e acabar a conversa sem nem saber de onde aquilo começou. Claro que existem outros elementos, líquidos, pra essa conversa ser dessa forma, mas vamos seguir.

No Slack, quando você muda de canal para responder uma conversa sem precisar, mudar de ticket, departamento, projeto, despretensiosamente, você está simplesmente continuando um papo.

Ok. Acho que as semelhanças ficaram claras, ao menos pra quem conhece as 2 ferramentas. O whatsapp pelo menos, você conhece vai! Bom, eu trabalho com desenvolvimento de software, aplicativos e produtos digitais há mais de 12 anos e a questão final, que agora deixo pra você é: Como o seu aplicativo, sistema, produto, plataforma consegue se comportar de uma forma que seja semelhante a uma atividade natural humana, de forma a diminuir a barreira de adoção, aumentar o engajamento e ainda ganhar vários promotores gratuitos?

A forma como muita gente está fazendo isso é usando um chatbot, que traz um comportamento mais humano, mas se não for muito bem projetado, falha na missão e torna o processo ainda mais robotizado.

“Mas eles são sistemas de comunicação, fica mais fácil”, sim, mas tudo o que criamos acaba sendo para facilitar algum processo humano, então como manter dessa forma, mais humano, e ganhar automação, distribuição, processo. Penso nisso a cada projeto. Não tenho a resposta. Você não achou que ia ser fácil assim neh?

Categorias: Tecnologia

Roosevelt Fernandes

Empreendedor há +12 anos, criando sistemas e apps, formando e liderando equipes ágeis de desenvolvimento de produtos digitais.

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